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Especial - XIX Congresso Mundial de ORL - Dr. Ricardo Bento

06/03/2009

*Série especial de entrevistas *


Bastidores de um gigante



XIX Congresso Mundial de ORL - BRASIL 2009


1- Quais os pontos que o senhor destaca como fundamentais para a escolha do Brasil como sede no mundial?
Ricardo Bento: A escolha do Brasil ocorreu por uma série de fatores e também por um pouco de sorte. Durante muitos anos, o Brasil tentou ser a sede do mundial, o trabalho feito e a persistência de alguns colegas que nos antecederam foram fundamentais. Não posso deixar de citar Otacílio Lopes Filho, que sempre militou na IFOS e abriu caminho para mim e para outros que estão lá atualmente, Oscar Cardoso do Rio de Janeiro, Paulo Pontes e diretorias anteriores da ABORL, como a do Luc, que investiram na idéia.
Contamos com o fator sorte quando atrasamos o envio do pedido de candidatura em 2000 e ficamos excluídos do processo de escolha. A proposta tem que ser feita com um ano antes da Assembléia Geral da IFOS acontecer e, com os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 nos EUA, o Congresso Mundial no Cairo, Egito, foi adiado em 1 ano. Neste momento, eu, que era do Comitê Executivo da IFOS, me aproveitei e incluí novamente o Brasil no processo de escolha em reunião histórica em Londres. Os outros países, que estavam concorrendo, fizeram de tudo para nossa inclusão não ser aceita, e a decisão foi para votação no Comitê Executivo. Nós ganhamos por 4 a 3, com a ajuda do México e Portugal.
Depois disso, foi um intenso trabalho de contato com os delegados na IFOS que votam na escolha da sede, e nós ganhamos durante a Assembléia que houve no Cairo. Um ótimo trabalho de toda Comissão que lá estava: Paulo, Eu, Luc, Dolci, Henrique, Marcos Mocelin, Patrocínio e outros que, com certeza, estou esquecendo de citar. Na eleição, ganhamos de Paris, Bruxelas, Vancouver e outros pela simpatia dos brasileiros, pelo interesse em nosso país e, sobretudo, pela competência de toda a Comissão no trabalho político. 


2- O Congresso aqui no Brasil terá alguma novidade ou algo diferente em relação aos outros Mundiais?
RB: Sem dúvida. A parte científica tem inovações importantes como os temas chaves em linhas lógicas de apresentação, ideia do Henrique Olival e do Marcos Mocelin, da Comissão Científica. Um grande trabalho feito no levantamento de bibliografias para identificação de autores e linhas de pesquisa de cada um, trazendo o que há de melhor hoje na ORL mundial. Neste mundial, o participante terá a oportunidade de ver o que ocorre na ORL dos cinco continentes. É uma oportunidade imperdível para os colegas brasileiros. Nenhum de nós pode perder a oportunidade única de ter no "quintal de casa" os maiores expoentes da ORL mundial. Será uma pena para o colega brasileiro que não puder vir.
Outra diferença, é que este mundial é da Associação Brasileira de ORL (ABORL-CCF). Os outros mundiais foram realizados por indivíduos, e o resultado acabou ficando com alguns grupos. Neste não, desde o começo, fizemos questão de lutar para que a ABORL-CCF e seus sócios fossem os beneficiados pelo resultado financeiro. Inclusive, inovamos e entramos na comercialização do hotel sede do evento, trazendo o lucro, que antes era das empresas de turismo, para a ABORL.

3- Como está o andamento da organização e dos preparativos do Congresso?
RB: O Congresso está pronto. Os trabalhos estão super adiantados e tudo sairá muito bem organizado.

4- A meta de 500 convidados internacionais será alcançada? E qual a importância disso?
RB: No mundial não há convidados internacionais. Os colegas vêm por iniciativa própria. Já há mais de 1500 estrangeiros inscritos. Não há nenhum convidado (com passagem e estadia ou qualquer outro patrocínio do evento), até a Comissão Organizadora pagou inscrição.
A importância de termos esse número de participantes estrangeiros, que vem por iniciativa própria, demonstra a importância do evento.

5- Qual foi ou está sendo a maior dificuldade encontrada em relação ao contato com os médicos internacionais? Qual o critério de escolha desses médicos?
RB: A IFOS (International Federation of Otolarygology Societes) tem comitês ad-hoc em cada área da especialidade, e foram esses comitês que escolheram os speakers das sessões principais. Os outros participantes serão escolhidos por meio de cursos de instrução e temas livres (muito importantes no Mundial).


6- Quais efeitos que o Mundial trará para a ABORL-CCF? Quais são os resultados esperados pelo senhor para a Associação?
RB: Sem dúvida, além do sucesso financeiro para a Instituição, que se traduzirá em projetos para a melhora profissional e de formação dos sócios da ABORL-CCF, será também a projeção da ORL brasileira para o mundo. O momento do Brasil se colocar cientificamente e politicamente entre os líderes da ORL mundial.


7- Como foi conciliar o trabalho de Presidente da ABORL-CCF com o de Secretário Geral do Congresso?
RB: Muito difícil. No momento, posso dizer que estou no auge da minha carreira profissional, pois sou Professor Titular da Faculdade de Medicina da USP e Chefe do serviço de ORL do Hospital das Clínicas, onde quase 200 médicos trabalham ou estagiam sob nossa tutela. Sou Presidente da ABORL-CCF, o que muito me honra e orgulha, porém exige grande parte do meu tempo e de minhas idéias. E como Secretário Geral do Mundial está sendo muito satisfatório em termos de amizade e aprendizado, mas sem dúvida estou muito sacrificado do ponto de vista pessoal. Eu me dedico muito profundamente àquilo que faço, logo, fico sobrecarregado.
O importante é que nos três lugares em que trabalho nada se faz sozinho, as pessoas que compões os grupos são sensacionais e sem elas nada poderia ser feito.