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Especial - XIX Congresso Mundial de ORL - Dr. Paulo Pontes

16/02/2009

* Série especial de entrevistas *

Bastidores de um gigante

XIX Congresso Mundial de ORL - BRASIL 2009


A partir deste mês, uma série de entrevistas vai contar um pouco mais sobre os preparativos e as curiosidades do XIX Congresso Mundial de ORL, que acontece em São Paulo, de 1 a 5 de junho deste ano. Para abrir essa série, conversamos com o Presidente do Congresso, Dr. Paulo Pontes.


1. Por quanto tempo o senhor e a comissão trabalharam para trazer o Congresso Mundial ao Brasil? Como foi este processo?
Paulo Pontes: O processo teve início em 1992 em um congresso no Rio de Janeiro, quando surgiu a idéia de apresentar o Brasil no Congresso Mundial na Turquia como candidato a sediar o próximo. A apresentação foi realizada de uma forma bastante amadora, pois ainda não tínhamos conhecimento dos valores considerados importantes para a IFOS para que um país membro pudesse receber o Congresso. Aprendida esta primeira lição reapresentamos a candidatura na Austrália, de uma forma bem mais elaborada, mas já prevíamos que o Egito sairia vencedor pois estava pleiteando sediar o Congresso antes de iniciarmos o nosso processo. Alguns pessimistas afirmaram que o Brasil, tendo perdido duas eleições, não teria condições de prosseguir com o trabalho; jamais acreditei nesta hipótese. Durante o Congresso no Egito tivemos uma árdua disputa com países de forte apelo científico e cultural, como Canadá, Bélgica e França, dentre outros. Disputamos o segundo turno com a Bélgica. Neste momento a argumentação era livre e tivemos a sorte da Bélgica ser a primeira a apresentar suas atrações o que me possibilitou detectar alguns pontos fracos e preparar a nossa defesa mostrando as vantagens da realização do Congresso em nosso país. O Brasil foi vitorioso e, nestes últimos 8 anos, tivemos tempo de nos preparar realizando um planejamento precioso.
Foi colocada em prática, pela primeira vez nos 60 anos de história dos congressos mundiais, a transferência da responsabilidade de organizar o Congresso para a Sociedade membro local. Em razão do Congresso ocorrer em São Paulo, a Assembléia Geral da ABORL elegeu uma Comissão Organizadora composta por representantes das quatro escolas de medicina do Estado com maior produção científica - UNIFESP, USP, Santa Casa e Unicamp. Nos últimos 3 anos esta Comissão tem trabalhado arduamente com a equipe da Meeting Eventos, empresa com grande conhecimento e experiência em organização de congressos mundiais na área médica.

2. Quais exigências os membros da IFOS fazem a um país que planeja organizar um congresso desse porte?
PP: As exigências dos membros da IFOS são várias e inflexíveis. Um país para ser aceito como candidato recebe a visita prévia de uma comissão que analisa o local do evento, o suporte hoteleiro, a malha aérea e principalmente a capacitação da PCO (Professional Congress Organizer). Em todas as candidaturas do Brasil este processo foi realizado e sempre recebemos aprovação.

3. Houve dificuldades durante o processo de escolha do país sede? O senhor teve em algum momento receio de que o Brasil poderia perder a disputa?
PP: Sim, tivemos um grande susto que ocorreu em decorrência de percalços no processo sucessório na direção da ABORL, que resultou na perda do prazo de inscrição da nossa candidatura. Mas devido a um atentado terrorista ocorrido no Egito o Congresso teve que ser adiado, viabilizando nossa candidatura. Apesar deste episódio sempre acreditei que o Brasil receberia apoio e prestígio da comunidade otorrinolaringológica mundial.

4. Quais pontos que o senhor destaca como fundamentais para a escolha do Brasil como sede do Mundial?
PP: Eu tenho a convicção de que a organização e a pujança da ABORL em todas as visitas de inspeção serviram como um espelho refletindo o que a otorrinolaringologia brasileira seria capaz de executar na organização de um Congresso Mundial. A escolha da cidade de São Paulo também facilitou o aceite da candidatura em função da ligação por via aérea da nossa cidade com praticamente todas as importantes cidades do mundo. Sem dúvida cidades do nordeste e o Rio de Janeiro teriam um apelo maior se considerássemos suas belezas naturais, mas estes aspectos não foram valorizados pelas comissões.

5. A programação científica do Mundial foi desenhada e modelada com base em quais temas e estudos? Foi dada preferência aos temas nacionais ou existe um balanceamento?
PP: Atualmente o programa científico do Congresso está a cargo de uma Comissão Local que recebe o apoio das chamadas Comissões Ad-hoc da IFOS, as quais representam uma determinada área de atuação da otorrinolaringologia. A escolha dos temas não foi baseada em especialistas, mas sim naqueles tópicos de interesse atual com base nas publicações científicas nas principais revistas do mundo. Este critério também foi utilizado para a distribuição da ocupação do tempo no Congresso.
Após a elaboração deste mapa foram convidados pesquisadores internacionais que se destacavam nos tópicos selecionados. Considerando que todos os convidados têm que arcar com as suas despesas é uma grande vitória termos a honra de receber 370 profissionais internacionais, que irão trazer ao Brasil o que vem ocorrendo em todo o mundo na otorrinolaringologia. Desta forma este Congresso não será uma repetição do que normalmente ocorre nos congressos internacionais onde as mesmas poucas dezenas de nomes mais conhecidos são sempre os convidados.
Por orientação da IFOS foi solicitado não termos em nossa grade científica mais que 20% de convidados locais. Isto infelizmente fez com que as academias das sub-especialidades, que indicaram os nomes dos brasileiros, bem como a coordenação da Comissão Científica, tivessem que reduzir as participações.

6. Qual a posição do Brasil hoje no quesito produção científica na ORL mundial?
PP: O Brasil vem se desenvolvendo cientificamente em uma velocidade espantosa. Hoje ele ocupa o 14º lugar, ultrapassando países que tradicionalmente primam pela produção científica.

7. Como está o andamento da organização e dos preparativos do Congresso?
PP: Neste mês de fevereiro podemos dizer que o Congresso já é um sucesso. A quase totalidade dos estandes de patrocinadores foi vendida e temos ao redor de 4 mil inscritos. Estes números são surpreendentes pelo fato de ainda estarmos a 4 meses do Congresso. Além destes aspectos altamente positivos a grade científica está completa, devendo ser feitos apenas ajustes que eventualmente possam ocorrer em casos isolados. Toda a infra-estrutura logística e de facilidades já está contratada. Como já anunciamos teremos uma atração social e festiva muito rica; acreditamos que aqui no Brasil ainda não ocorreu nada igual ao que será visto.

8. Quais desafios que o presidente de um congresso tão importante como esse enfrenta?
PP: Desafios existem em todas as áreas relacionadas ao Congresso. Em trabalho conjunto com as Comissões Organizadora e Científica e a equipe da Meeting Eventos, todas as barreiras e desafios que um congresso apresenta estão sendo superados de forma satisfatória.
É preciso destacar o apoio que o Congresso recebeu da Prefeitura da cidade de São Paulo na figura do prefeito Gilberto Kassab, que tem atendido prontamente nossos apelos e indicado soluções.