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Dr. Agrício Crespo

03/12/2008

Dr. Agrício Crespo - Coordenador da Comissão de Ensino, Treinamento e Residência da ABORL-CCF

Como foi para o senhor assumir a coordenação desta comissão?
Agrício Crespo: Tivemos o privilégio de participar, desde o inicio, da gestão de implantação do programa de avaliação e classificação desenvolvido pela ABORL-CCF em 2004. Naquela ocasião eu coordenava a comissão. Retornar a este posto representa uma oportunidade preciosa de colaborar com a ABORL-CCF na manutenção do PACRE (Programa de Avaliação e Classificação das Residências e Estágios) em suas linhas mestras de independência e imparcialidade.

O senhor encontrou alguma dificuldade ao assumir este posto? Como estava estruturada a comissão e o que foi mudado?
AC: Não houve dificuldades ao reassumir este posto porque a CETR (Comissão de Ensino, Treinamento e Residência) nunca se afastou de seus princípios e processos originais. Não existem grandes mudanças para implantar, além de pequenos aperfeiçoamentos que são inerentes a qualquer processo de ensino e avaliação.

Como funciona a Comissão?
AC: A CETR é composta de 31 membros representativos de diversas regiões do pais. Ela desenvolveu, testou e implantou um processo original de avaliação e classificação dos programas de residência médica único no Brasil. Os membros da comissão viajam em duplas para todos os estados onde existam programas de ensino e avaliam in loco os aspectos relacionados à infra-estrutura, programa de ensino teórico e pratico, corpo docente, produção cientifica e corpo discente.
Ao final do processo todos os programas de ensino de ORL no Brasil recebem uma classificação que vai ter A, B+, B, C+, C, D, até E. As deficiências são apontadas com a finalidade de elevar a qualificação do ensino e aprendizagem.

Quais as metas para os próximos dois anos? Haverá alguma inovação?
AC:
- Valorizar ainda mais o conceito da CETR de autonomia e imparcialidade;
- Valorizar o selo de classificação da ABORL-CCF e estende-lo a 100% dos programas de ensino do país;
- Propor sanções aos programas que não aceitem a avaliação da CETR /ABORL-CCF;
- Reavaliar os programas B, B+ e A segundo o cronograma de recadastramentos;
- Publicar um suplemento na RBORL que registre e divulgue o programa de avaliação da ABORL-CCF.

De que modo esses objetivos podem ser atingidos?
AC: A comissão realizou um refinado trabalho estatístico que comparou o índice de reprovação e a nota no exame de especialista com a classificação do serviço de origem dos candidatos, e concluiu que existe nítida concordância entre desempenho na prova do titulo e qualificação do serviço de origem. Este método comprova o valor do PACRE. Portanto, é inaceitável que alguns serviços insistam em permanecer de fora deste programa. A partir de 2009 o corpo docente de programas não avaliados pela ABORL-CCF não farão parte da grade cientifica dos congressos da Associação e dos cursos ou eventos apoiados por ela. Os residentes e estagiários perderão as isenções de taxa de anuidade e outros benefícios na ABORL-CCF (a ser aprovado em assembléia). Os candidatos ao titulo de especialista, regressos de programas não avaliados, receberão pontuação menor na prova de analise de currículo.

A residência em ORL tem crescido muito nos últimos anos graças à divulgação e empenho da Associação em emancipar a especialidade na medicina. Como a comissão ajuda neste quesito?
AC: A CETR trouxe uma contribuição e inestimável valor à ORL brasileira. Os médicos residentes são a melhor produção dos serviços de ORL que se destinam também a formação de nossos especialistas. A educação de profissionais bem formados é a melhor garantia de desenvolvimento e ascensão da ORL. Hoje, o aluno de graduação tem indicadores para localizar onde estão e quais são os melhores centros formadores do país. Coordenadores de programas de ensino e residência têm instrumentos que identificam fragilidades e, portanto, o direcionamento para corrigi-la. Havia quatro anos teve inicio uma corrida por qualificação que não deve e nos pode parar.

Tem alguma área da ORL que contribuiu ou ainda contribui para o crescente número de residentes na especialidade?
AC: As gerações mais novas vivem o boom do renascimento da Otologia, motivado pelas novas tecnologias para reabilitar a audição. A cirurgia estética da face também atrai muito os jovens profissionais. A comissão é vigilante para que os programas de residência ofereçam treinamento abrangente em todas as áreas da especialidade. A super-especialização deve ser uma opção ao final da residência, o r4.

A comissão tem alguma iniciativa ou plano para atuar diretamente em universidades, para ajudar o jovem ORL em sua formação? Existe ou vão existir cursos especializados de complementação e aperfeiçoamento na área?
AC: A comissão planeja organizar um fórum de coordenadores ou preceptores de programas, divulgar métodos pedagógicos de ensino com maior rendimento, estimular o intercâmbio de visitas aos outros serviços para a troca de experiências, modelos de gestão e operacionalização.