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Dr. Michel Cahali e Dr. José Antônio Pinto

10/04/2008

 

- A área de ronco e apnéia do sono tem se expandido cada vez mais nos últimos anos pela Otorrinolaringologia. Por que este crescimento se acentuou tão rapidamente e qual a importância para o otorrino?

Michel Cahali: A medicina tem acumulado evidências cada vez mais consistentes sobre os efeitos deletérios do ronco e da apnéia do sono em nosso organismo. Quando as pesquisas apontaram a correlação desta doença com outras amplamente conhecidas e temidas, como hipertensão arterial, infarto do miocárdio, arteriosclerose e acidente vascular cerebral, estes dados ganharam grande repercussão entre os médicos e também na imprensa leiga. E assim, em pouco tempo, criou-se a percepção de que boa parte da população sofre de uma doença potencialmente grave, sendo agredida pelo ronco e apnéia do sono toda vez que dorme. Este é o motor para o vigoroso crescimento desta área: a geração de informação de qualidade, tanto para médicos como para a população.
O otorrino, que é o especialista nas doenças da via aérea superior - território de origem dos roncos e apnéia obstrutiva do sono -, é o profissional que reúne as melhores habilidades para compreender a causa e conduzir o tratamento desta doença. Estamos diante de um claro exemplo de como a expansão do conhecimento exige o contínuo aperfeiçoamento dos especialistas.


José Antônio Pinto: Um maior conhecimento dos distúrbios do sono nestes últimos anos tem demonstrado que os distúrbios respiratórios do sono, como o ronco e a apnéia obstrutiva, representam 80% destes problemas. Sendo uma síndrome em que a principal característica é a obstrução das vias aéreas superiores durante o sono, o ORL é o profissional médico mais habilitado para diagnosticá-la e tratá-la. Através de uma avaliação clínica, endoscópica e de estudos do sono em laboratório, o ORL pode oferecer ao paciente as várias opções de tratamentos cirúrgicos e não cirúrgicos.


- Haverá alguma inovação na área do sono este ano ou futuramente por iniciativa dos otorrinos que lidam nesta área?

MC: Este ano, a ABORL realizou o I Curso de Habilitação em Polissonografia. O curso exigiu um esforço muito grande por parte da diretoria da ABORL e da Academia Brasileira de Ronco e Apnéia do Sono para contornar os obstáculos logísticos, de infra-estrutura e também políticos que surgiram quando o curso foi proposto. Graças à cooperação dos otorrinolaringologistas envolvidos nesta área, já realizamos o primeiro módulo do curso, que ocorrerá mensalmente até o fim do ano. Futuramente, ao formarmos uma massa crítica de otorrinos nesta área e, com investimentos em tecnologia de comunicação, poderemos realizar ações que levem aos associados de todo o país o estado da arte nesta área de sono.

JAP: A ABORL-CCF, através da Academia Brasileira de Ronco e Apnéia do Sono, criou o curso de Habilitação em Polissonografia que já esta se desenvolvendo este ano em sua sede em São Paulo, com a participação de 15 ORLs. Está em estudo a formação de novos cursos em outros pontos do país.

- Distúrbios do sono, ronco, noites mal dormidas... Muitas pessoas não sabem que possuem problemas de sono e outras nem sequer imaginam que eles estejam relacionados à respiração. Como o otorrino atua na hora de orientar o paciente e de passar as recomendações para a cura do problema?

MC: O otorrino sempre foi o profissional de escolha para as consultas especializadas nos casos de respiração oral, ronco e pausas respiratórias nas crianças. Já nos adultos, uma parte significativa dos conceitos nesta área foram construídos à margem da nossa especialidade. Por isto, o otorrino hoje se esforça para adicionar esses conceitos aos seus conhecimentos de via aérea superior e melhorar a sua forma de tratar a doença. Os otorrinos realizam a melhor avaliação especializada da via aérea superior e devem orientar os doentes na escolha do tratamento mais apropriado para o ronco e apnéia do sono.


JAP: O ORL tem hoje um papel preponderante no diagnóstico e tratamento da Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono. A maioria dos pacientes com queixas respiratórias obstrutivas apresentam distúrbios do sono, como ronco, paradas respiratórias, fragmentação do sono e outros, além de graves repercussões de ordem geral (cardiovascular, neurológica, metabólica, comportamental), levando inclusive a óbito. Afetando mais de 10 milhões de brasileiros, a SAOS é doença crônica, evolutiva e que deve fazer sempre parte da avaliação do médico ORL para ser diagnosticada e tratada.

 

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