Entrevista com os candidatos das Eleições ABORL-CCF 2018

11/10/2017

A ABORL-CCF divulga abaixo a entrevista* realizada com os candidatos das Eleições 2018, para o cargo de Segundo Vice-Presidente, que assume como presidente em 2020


1)      O que o Sr. Candidato pretende fazer para fortalecer e dar sustentabilidade para a nossa Associação?

Alexandre Felippu Neto: Vou reformular nossos canais de comunicação visando maior participação de associados de norte a sul do país. O site, o jornal e a assembleia são nossas armas para debatermos pautas e alcançarmos nossos objetivos. Quero também desenvolver programas de aprimoramento dos médicos otorrinolaringologistas, através de parcerias com entidades públicas e privadas.


Geraldo Druck Sant´Anna: A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial tem suas receitas originadas das anuidades dos associados, receita do congresso brasileiro, patrocínios e outras receitas extraordinárias (cursos, eventos, publicações, campanhas, etc.). O objetivo da ABORLCCF não é, de forma alguma, dar lucro. Precisa sim manter-se saudável financeiramente para poder cumprir com sua missão que é: "Trabalhar em busca da excelência da Otorrinolaringologia Brasileira, promovendo atualização e conhecimento, valorizando e defendendo o interesse dos seus associados e colaborando na melhoria das condições de saúde da população brasileira".


Se queremos continuar crescendo e oferecer mais aos associados, precisamos fazer isso de forma consistente, responsável e sustentável.


Em primeiro lugar, precisamos aumentar a nossa base de associados. Estima-se 8.000 otorrinolaringologistas no país. Temos cerca de 6.000 associados, dos quais cerca de 65% encontram-se adimplentes. O aumento da base não significa somente aumento da receita, mas muito mais que isso, é ter um poder maior por nos tornarmos uma entidade ainda mais representativa.


Devemos aumentar a receita de patrocínios, mesmo em situação de crise econômica do país. Isso será possível com melhores negociações e com o aumento da base de patrocinadores, expandindo para áreas da economia que têm interesse nos médicos otorrinolaringologistas (por exemplo, indústria automobilística, construção civil, bancos e seguradoras).


Precisamos, também, melhorar nossa imagem para o público leigo. Isso significa investir em marketing para demonstrar o que faz o otorrinolaringologista. As campanhas (voz, audição, respiração nasal, etc.) fazem isso, mas temos muito mais para fazer. Teremos profissionais especializados na área de comunicação para realizar este projeto.


2)      Como o Sr. candidato pretende atuar para melhorar a remuneração dos otorrinolaringologistas que trabalham na saúde suplementar ( área dos convênios médicos)?

Alexandre Felippu Neto: Pretendo atuar junto ao departamento de defesa profissional, junto à AMB e aos órgãos reguladores, visando melhorias na tabela de honorários dos procedimentos otorrinolaringológicos.


Geraldo Druck Sant´Anna: Importante saber que a remuneração dos otorrinolaringologistas é atrelada, de forma geral, aos médicos de outras especialidades, porém existem várias oportunidades onde a ABORLCCF deve atuar.


Estas são as áreas onde devemos atuar para garantir e melhorar nossa remuneração:


AMB e CFM: precisamos aumentar nossa influência junto às entidades de classe e ter protagonismo. Nessas entidades decide-se sobre CBHPM - sua valoração.


ANS: proponho que estabeleçamos contatos na Agência Nacional de Saúde Suplementar. Esta entidade regula toda a atividade das operadoras e estabelece o Rol de Procedimentos Médicos. Lá podemos pressionar por inclusão de novos procedimentos e valoração dos mesmos.


Operadoras de saúde: temos que nos reunir e passar a negociar com as operadoras, sejam elas privadas ou cooperativas. O sistema Unimed cresceu muito e representa receita significativa para os otorrinolaringologistas brasileiros. Quero estabelecer contato e negociação com a Unimed do Brasil (Confederação Nacional das Unimeds do Brasil)e  também com as grandes operadoras de abrangência nacional - autogestões, seguradoras, medicina de grupo.


Cooperativas Regionais: sabemos que, muitas vezes, aumentos nos honorários de especialidades são feitos por acordos regionais, dependendo da realidade específica de cada região do país. Para isso a ABORLCCF pode e DEVE dar apoio e suporte aos associados. Isso é especialmente válido para as cooperativas de otorrinolaringologistas já existentes e para o estímulo a formação de novas onde o mercado permite e seja favorável.



3)      Como o Sr candidato pretende trabalhar na defesa das  áreas fronteiriças  da nossa especialidade que tantos problemas têm trazido ?

Alexandre Felippu Neto: Atuaremos junto com as sociedades supras e os departamentos da ABORL-CCF no sentido de aprimorar e delimitar nossas atribuições, levando à comissão mista de especialidades formada pela AMB, CFM e CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica) as nossas demandas e anseios.


Geraldo Druck Sant´Anna: Defendo, intransigentemente, as áreas de atuação da nossa especialidade. A otorrinolaringologia tem áreas de interface com outras especialidades médicas e com outras profissões. Muitas vezes, essa relação pode ser conflituosa. Soluções negociadas sempre foram as melhores. Exemplos assim ocorreram em relação à medicina do sono e na cirurgia crânio-maxilo-facial. O debate nas esferas corretas - comitês de especialidades da AMB-CFM solucionaram com estabelecimento de áreas de atuação regulamentadas. Outro grande exemplo de sucesso é com a cirurgia de cabeça e pescoço. Depois de anos de conflito, achou-se uma solução negociada onde os egressos de residência médica em otorrinolaringologia poderão prestar concurso para a residência em cirurgia de cabeça e pescoço. Outra área de debate é relacionada com a cirurgia plástica da face, onde o otorrinolaringologista que faz formação atua de forma plena. Precisamos regulamentar também essa importante área de atuação.


4)      Como o Sr candidato pretende ajudar os otorrinolaringologistas na área da defesa profissional ?


Alexandre Felippu Neto: Apoiaremos as ações que têm sido brilhantemente desenvolvidas pelos membros do departamento de defesa profissional.


Geraldo Druck Sant´Anna: A Defesa Profissional é um orgulho da ABORLCCF. Tive o prazer de fazer parte deste departamento por 6 anos, quando da sua formação. A Defesa profissional deve seguir atuando na defesa das áreas de atuação do otorrinolaringologista, na relação com as fontes pagadoras (operadoras de saúde e SUS) e no fomento e orientação, especialmente, dos jovens otorrinolaringologistas em suas carreiras.


O Comitê de Defesa Profissional funciona com autonomia perante a Diretoria Executiva da ABORLCCF, porém o trabalho em conjunto gera frutos.


Quero, em conjunto com o Comitê de Defesa Profissional,  trabalhar nessas áreas, com algumas sugestões de trabalho:


1. Ampliação de nossa participação na AMB, especialmente na comissão de honorários médicos;

2. Criação da Câmara Técnica de Otorrinolaringologia no CFM;

3. Criação de agenda junto à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), 4. Implementação de representação em Brasília para acompanhamento no Congresso Nacional dos projetos de lei que possam estar relacionados com otorrinolaringologistas, assim como no Poder Executivo Federal, para ações nos Ministério da Saúde, da Educação e da Fazenda;

5. Continuar com o programa de orientação da carreira, para estabelecer um serviço de coaching de carreira;

6. Criação de setor de oportunidades para posições de trabalho;



5)      O que o Sr candidato pensa da política institucional do governo de abrir escolas médicas no Brasil?


Alexandre Felippu Neto: É prejudicial à saúde pública brasileira. É preciso ter estruturas decentes, com todos os níveis de complexidade importantes para formação dos médicos.



Geraldo Druck Sant´Anna: Essa é mais uma infeliz ideia do governo brasileiro em tentar resolver a carência de médicos no interior do país. Ao invés de criar condições para que médicos consigam estabelecer-se em cidades menores, recorreram ao programa "mais médicos", com contratação de médicos estrangeiros sem registro profissional e, agora, com a abertura de faculdades de medicina sem qualquer qualidade.


De toda forma, estes novos médicos entrarão no mercado de trabalho, que pela lei da oferta deverá impactar a realidade todos os médicos.


Temos que apoiar as entidades médicas nesta batalha contra a abertura de cursos sem condições!


Por outro lado, temos que nos preocupar com a colocação de novos otorrinolaringologistas no mercado de trabalho. Nosso Comitê de Residência e Treinamento deve seguir com sua importante missão de fiscalizar e garantir que as residências em otorrinolaringologia tenham condições de aprendizado e de trabalho para os nossos especialistas em formação.



6)      O que o Sr candidato pensa sobre o exame de qualificação do egresso das faculdades de medicina, é favorável à um exame nos moldes da OAB?


Alexandre Felippu Neto: Na realidade, esta questão deve ser debatida em nossa associação, pois a legislação vigente não prevê este tipo de prática. O que está sendo realizado no Ministério da Educação neste momento, ou seja, a discussão do ANASEM (Avaliação Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina) com a possibilidade de se fazer exames seriados no segundo, quarto e sexto ano, parece ser uma forma ideal para avaliar todas as fases de um curso de medicina e as possibilidades deste curso continuar aberto ou não.

Com a implementação do ANASEM, acredito que teremos uma avaliação melhor do que a realização de um exame tipo a prova da OAB, pois avaliará step by step a evolução dos alunos para, num segundo momento, ver o tipo de recuperação das etapas não atingidas.

A ANASEM realizada em 2016 conseguiu mobilizar todas as escolas brasileiras de educação médica e seus resultados abarcam a avaliação de 91% dessas instituições, totalizando 233 cursos e 22.086 estudantes matriculados no 2º ano. Os desempenhos nas questões objetivas foram agrupados em três níveis de proficiência - básico, adequado e avançado - com o objetivo de medir as competências estruturais ou habilidades dos participantes. Cerca de 91,2% dos estudantes de medicina encontram-se no nível de proficiência adequado; 6,9%, no básico; e 1,9%, no avançado. Quanto aos desempenhos agregados por instituições de educação superior (IES), 98,71% apresentam média em nível adequado e 1,29%, no básico.


Geraldo Druck Sant´Anna: Do ponto de vista teórico, poderia funcionar, entretanto não acredito que no Brasil atual, com essa instabilidade política, poderá ser aprovado algo assim. Precisamos, isso sim, defender nosso Título de Especialista com a prova que é realizada pela ABORLCCF. O título é a nossa arma para garantir que estamos colocando profissionais especialistas qualificados para o atendimento da população brasileira. A forma como nossa prova de título avançou em seu conteúdo e realização é um orgulho e defesa para nossa especialidade.


*Seguindo as regras do Colégio Eleitoral, as perguntas foram enviadas aos candidatos de forma individual, com livre formato de resposta.

 

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